Proclamação da República: “um grito contínuo pela  democracia”, por Raissa Braga

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Em 15 de novembro de 1889, Marechal Deodoro da Fonseca marcha até o Ministério da Guerra e declara o início do período republicano brasileiro. A família real, antes chefes do Império do Brasil, é expulsa e se abrigam na França.

Muito se engana quem acha que a proclamação da república foi constitucional. Porém, na verdade, os militares, apoiados pela elite escravocrata, insatisfeita com a Lei Áurea, e a Igreja Católica, já há muito desgastada com a família real, apoiaram e financiaram o golpe que derrubou o império. A maioria da população, principalmente os interioranos, ex-escravos e trabalhadores pobres, ficaram de fora do levante e, inclusive, só ficaram sabendo da mudança tempos depois.

Nosso primeiro presidente, Marechal Deodoro da Fonseca, não foi eleito por voto popular, e sim pelo Congresso Constituinte. O voto, na época, era restrito para homens alfabetizados maiores de 21 anos. Na década de 1930, surgiram o voto secreto e o direito de mulheres votarem. Em 1964, nossa democracia, pilar da república brasileira, foi posta em risco no regime militar, que, dentre várias medidas anticonstitucionais, proibiu o voto direto para presidente.

As diretas já, movimento popular que exigia a volta das eleições diretas, influenciaram diretamente no fim do regime e na constituição cidadã de 1988, que resgatou e implementou o voto universal, incluindo, dessa vez, os analfabetos.

Hoje, comemoramos a Proclamação da República e nosso grito ainda se inclina em favor da democracia, coluna mestra e alicerce da evolução do Brasil.

 

Por Raissa Braga

Advogada e docente do UniFavip Wyden

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